terça-feira, 29 de outubro de 2013

Poema 10

Poema 10

Ao Cândido da Velha por terras bravias

Há um odor a pão no tempo breve
na caleira do tempo na escuridão
da macieza do estilo popular
em campos regadios de luar

Que fecunda a raiz da madrugada
do calor de saber alentejano
por trigais doridos em escarpas
na plenitude do trabalho

Inflama a luz como fornalha acesa
dos tempos tresmalhados
na secura de terrenos prenhes
de homens na sonolência

No corpo da manhã o pão crescendo
de terras ingratas nas planícies
de suor e pesadelos conhecidos
na imensidão das culturas amarelecidas

pelo vento suão no amanhecer

Pedro Valdoy


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Poema 9

Poema 9

As árvores plenas
transformam vales e rios
prenhes de vida e doçura
no inimaginável
mundo da fertilidade
por séculos do passado
para o futuro
da humanidade desenraizada
pela frieza do terreno.


Pedro Valdoy

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Poema 8

Poema 8

Na fronteira do tempo
os candeeiros se apagaram
na plenitude do Outono
por caminhos incertos

No limite de hoje
crianças brincavam
no torpor da civilização
por ruas inquietas

Na incógnita do amanhã
solares em cogumelos
enraízam-se na verdura

da incerteza peculiar.

Pedro Valdoy

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Poema 7

Poema 7

Na paisagem do tempo
meu coração assina
o amor do passado
de rosas entremeadas
através dos dias
na sequência do teu rosto
sem máscara disfarçada
por jardins de tulipas
na verdura sedenta
à submissão absoluta.


Pedro Valdoy

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Poema 6

Poema 6

Palhaços encasacados
no trapézio saltitam
na inconstância do circo
à deriva navegam no espaço
na estrada da juventude

De travessos contornáveis
lá vão pelos cantos do mundo
de vaidades neste país soam
as trompetes da política disfarçada

O Zé canavial
o triste coitado
nos campos ignora
as intempéries do Estado

Pé ante pé
verdades se digam
em jardins corruptos
todos se esmifram pela riqueza
dos tempos.


Pedro Valdoy 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Poema 5

Poema 5

A flor celeste deambula no deserto
através das cores do arco-íris
na largura dos tempos
em tempos esquecidos
pela força do destino

São reminiscências do passado
através de séculos na partitura
de um concerto na eternidade
na solidão da noite trespassada
por contemporâneos sucessivos
de vozes de estrelas incandescentes

A candura do ser pernoita no céu
através da escuridão perene
por vales e montanhas à procura
do impensável que perdura
no sossego da lareira apagada.

Pedro Valdoy


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Poema 4

Poema 4

Quando a vespa atravessou a noite
na penumbra dos meus olhos
vi teu corpo através dos seios
do ser de conchas desavindas

Ao nascer do Sol de ferrugem
quando passavas pela rua
coberta de flores negras
no calor da primavera

Vi-te escorreita na serpente
numa visão da loucura dos tempos
quando a calçada estava fresca
no pormenor da tua beleza.


Pedro Valdoy

domingo, 6 de outubro de 2013

Poema 3

Poema 3

De calça e libré
joaninha ni silêncio
de folha a folha
anda vagarosamente
fala e desconversa com outras
os tempos estão maus
os roubos são constantes
bebe um copito de cachaça
encontra o grilo
e palavreia palavreia
da rabaldaria que por aí vai
vê a cigarra é só desgraças
deviam dar um subsídio
para o Inverno
trauteia a pobrezita coitada
Joaninha bebe mais um copo
levanta as asas e vai-se embora.


Pedro Valdoy

sábado, 5 de outubro de 2013

poema 2

poema 2

a cigarra matreira
cantava em saltité
de ramo em ramo
entoava cantigas
ao descanso
apregoava a greve
pelo pouco que já fazia
fumava fumava
cigarrilhas em vaidades
no descalabro da sociedade
abaixo abaixo
gritava em saltos
olímpicos
entre um cigarro
e o canto
piscava o olho
ao seu velho amigo
machão de corpo e alma.


Pedro valdoy

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Introdução

                                                                                    introdução

                                               no olhar do mocho
                                               a sabedoria eterniza-se

                                               na ingenuidade da criança 
                                               a ignorância apaga-se

                                                         pedro valdoy