terça-feira, 29 de outubro de 2013

Poema 10

Poema 10

Ao Cândido da Velha por terras bravias

Há um odor a pão no tempo breve
na caleira do tempo na escuridão
da macieza do estilo popular
em campos regadios de luar

Que fecunda a raiz da madrugada
do calor de saber alentejano
por trigais doridos em escarpas
na plenitude do trabalho

Inflama a luz como fornalha acesa
dos tempos tresmalhados
na secura de terrenos prenhes
de homens na sonolência

No corpo da manhã o pão crescendo
de terras ingratas nas planícies
de suor e pesadelos conhecidos
na imensidão das culturas amarelecidas

pelo vento suão no amanhecer

Pedro Valdoy


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